________________________________



Jean. Corpo em Aracaju-SE, alma em Vitória da Conquista-BA. Estudante do primeiro ano de Medicina, dos pensamentos e da vida, quando sobra tempo. Do alto dos seus 22 anos, no topo do conflito de idéias, das brigas internas e das dúvidas. E quanto mais conflita, mais briga e mais duvida, mais encontra tranqüilidade. Afinal, o que é concreto por aqui?

Orkut | Twitter | Last.fm


Textos. O que vier, como vier e do jeito que vier. Na telha é a expressão. A idéia ante a forma e a técnica. Um semi-fluxo de consciência. Sem leituras, delongas ou pompas. Apenas alguns enfeites, pra embonitar a essência. A essência do que vier.

Eu não necessariamente concordo com tudo o que eu escrevo. Não se trata obrigatoriamente das coisas em que eu acredito. Simplesmente sou acometido pelo pensamento e, se o achar interessante, decido por escrevê-lo.




Sábado, Outubro 17, 2009 [8:30 PMh]

Breve um novo blog. Aguardem

|




________________________________________


Domingo, Outubro 11, 2009 [11:12 PMh]

Sobre os conselhos
escrito em 06 de julho de 2005



Estava praticamente no fundo do poço. Estava desiludido. E uma vida sem ilusões é uma vida concreta demais para o que se pode suportar. Estava desesperançoso. E se a esperança é realmente a última que morre, ele deveria ter morrido há uns dois minutos atrás. Estava sem sonhos, sem meta, sem um ponto para fixar o olhar. Estava... estava... não estava. Não era. Não nada.

"A solução pra tudo na vida
é erguer a cabeça
e andar com ela sempre erguida."

Foi o que lhe disseram.

Era o que ele precisava para tentar fugir do fundo do poço. Um conselho. Qualquer que fosse. E foi nesses três versos magros que ele buscou alguma gota de força.

Ergueu a cabeça. Procurou um ponto. Encontrou-o. Um ponto qualquer no horizonte. E começou a andar. Sempre em frente. Com a cabeça erguida. Com o olhar fixado nesse ponto.

- Cabeça erguida! - pensou, o mais alto que podia.

Havia movimento por onde ele passava. Havia, para o mundo. Para ele só havia ele e o ponto. E foi nesse ponto que ele se concentrou. Cabeça erguida. Concentração. Ilusões. Esperança. Sonhos, metas... um ponto. As suas forças começaram a renascer. Agora estava. Era. Sim tudo.

Com a cabeça erguida via o céu. O Sol. Pássaros. Nuvens. Com a cabeça erguida ele via o ponto.

Ele só não viu um buraco que estava na sua frente. Caiu. E foi parar lá no fundo. Era um poço.

Abriu os olhos e viu o ponto pela última vez.

Pobre coitado, era um ponto-final.

..............................................................



'Oi Jean, bom texto. Bom arremate. É assim mesmo q se fz crônicas, elencando os fatos de forma criativa.'
(Tiago)

'mas caiu no buraco de cabeça erguida!'
(Iris)

'Apesar de ele ter caído no poço, será que não valeu a pena por ele ter visto, o sol, as nuvens, os passáros? Não é melhor esse ponto final do que constantes reticências sem nenhuma visão que recompensadora ??'
(Aninha)

'final é surpreendente, diga-se de passagem, e o jogo de palavras (ponto final) muito bem bolado. Gostei mesmo!'
(Paloma)


|




________________________________________


Terça-feira, Outubro 06, 2009 [1:58 AMh]

Eu sou brasileiro



Eu sou brasileiro. O que significa que o local onde minha mãe se encontrava quando entrou em processo de parto, após 9 meses de desenvolvimento fetal depois de ter o óvulo fecundado por um dos espermatozóides produzidos nas células de sertoli no testículo do meu pai, pertence a uma porção de terra chamada Brasil. Porção de terra essa cujo nome Brasil foi definido - depois de algumas idéias anteriores não bem sucedidas - pelos portugueses que aqui chegaram em 1500. 1500 é um ano, como todos os outros anos, que faz parte de um calendário com base num cara que multiplicava pães, andava sobre as águas e não era brasileiro. Frisando que quando os portugues aqui chegaram, em 1500, índios aqui já estavam. Não, eles não opinaram no nome. Nem ficaram com a honra da descoberta.

Eu sou brasileiro. O que significa que o primeiro raio de luz que atingiu a minha retina, estimulando o II par de nervos cranianos, os ópticos, teria atingido o chão - e possivelmente seria parte absorvido, parte refletido, de acordo com a cor do chão - pertencente a tal porção de terra chamada Brasil, caso eu não estivesse com a cabeça pra fora entre o raio de luz e o chão. O raio de luz, possivelmente foi proveniente do Sol. Mas aí teimaram a dizer que a luz quem deu foi minha mãe.

Eu sou, sim, brasileiro. O que significa que o primeiro - e único - tapa que tomei na bunda, possivelmente na região do músculo glúteo máximo, causando uma sensação de dor trazida por impulsos exteroceptivos, foi dado por um médico que se encontrava, naquele exato momento, na porção de terra chamada Brasil. Tal sensação de dor desencadeou o reflexo do choro, o que faz com que Brasil também seja a porção de terra onde caiu a minha primeira gota de lágrima. Por isso eu posso dizer, então, que sou brasileiro.

Eu sou brasileiro. Logo sou sulamericano, terráqueo, via lácteo e... sei lá, universal? América do Sul é uma porção de terra maior, que inclui porções de terra menores. Terra é uma graaande porção de água, com pequenas porções de terra. O universo é uma grande porção de qualquer coisa esquisita que veio Deus sabe de onde. As porções de terra das quais eu falo, não são definidas naturalmente, como as porções do universo. São definidas sim pelo homem. Homem esse que ignorou os índios quando chegou nessa porção de terra onde a gente tá. Por sinal, é bom destacar que índios também são homens. E as porções são definidas com base em... com base em nada. Isso, é sem critério mesmo. Fulano pra cá, Cicliano pra lá. Foge de guerra, procura ouro, tira índio, põe escravo, fecunda óvulos, nomeia, bate na bunda, chora, chora desgraçado, procria, amplia, entope e vira uma nação. O Brasil é uma nação.

É, amigos, eu sou brasileiro. O que poderia significar que eu não desisto nunca, caso a porção de terra onde eu estou não diferenciasse das outras porções apenas por questões ambientais, geográficas e.. oh!.. políticas; caso os óvulos e espermatozóides provenientes dos humanos habitantes das outras porções de terra não fossem semelhantes e originassem os mesmos tipo de zigotos, que passam pelo mesmo processo de clivagem, blastulação, gastrulação e todo o resto, nascem, choram, crescem, animam, desanimam, conquistam e desistem; e caso 'nunca' não fosse uma palavra sem definição e as palavras não fossem inventadas e tortamente definidas pelos.. argh.. homens.

O que eu quero dizer, meus caros, é que sou sim brasileiro. Não nego. Mas como qualquer brasileiro - e também como os não-brasileiros, que são homens, e isso inclui os índios e os médicos - desisto sim, sempre quando me convém.

|




________________________________________


Sábado, Outubro 03, 2009 [7:15 PMh]



Inside


Eu tenho o costume de processar as coisas internamente. Na verdade, todo mundo tem. A diferença é que em geral as pessoas fazem esse processo externando as dúvidas, as conclusões, as angústias e todo o resto. Chamam isso de expor os sentimentos. Eu martelo, mastigo e engulo pra mim. Simplesmente porque em geral não tenho necessidade alguma de expor nada.

O que acontece é que as pessoas expõem muitas vezes por expor mesmo. Assim, sem finalidade, ao meu ver. Falam em dividir, compartilhar, tal e tal. Mas pra quê?

90% dos meus problemas, exatamente por serem MEUS problemas, eu resolvo sozinho. Quem mais saberia de mim d que eu mesmo? Eu exponho as coisas basicamente em dois momentos: quando posso ajudar alguém com isso ou quando percebo que alguém tem inteligência o suficiente pra entender algum aspecto meu que eu não entendo.

A grande verdade é que quem diz tudo o que pensa, diz tudo justamente por não pensar.

|




________________________________________